quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Morre Lentamente...


Morre lentamente quem não viaja , quem não lê, quem não ouve música, quem
não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos
os dias os mesmos trajetos. Quem não muda de marca, não se arrisca a
vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o
branco e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de
emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos
bocejos, coração aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu
trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na visa fugir dos conselhos
sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias se queixando da sua má sorte ou da
chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de inicia-lo, não pergunta
sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige
um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Muito mais pessoas estão morrendo a nossa volta do que podemos imaginar,
acreditar ou perceber. As pessoas morrem por não mais acreditarem na
beleza da vida, a força de uma gargalhada, no poder daquilo que grita
dentro do peito delas. As pessoas morrem simplesmente por deixarem de
viver. Não se trata de uma escolha, mas falta de coragem e atitude para
escolher!
Morrer é realmente preciso e positivo quando você deseja renascer maior,
melhor e renovado. Nada pode nascer de novo sem que algo de velho tenha
morrido. No entanto, não aceite a morte lenta, gradual e quase
imperceptível do marasmo, da falta de vontade. Na dificuldade, na dor, não
desista, porque é depois do momento mas escuro da noite que o sol volta a
nascer.

texto de Pablo Neruda